Criança com restrição alimentar, como dizer NÃO

Como lidar com tudo que temos que negar às crianças com restrições alimentares?


LIDAR COM AS DIFERENÇAS


Antes de falar diretamente dos alimentos, esse tema pede algumas reflexões.

Faz parte do educar mostrar as crianças que é normal ser diferente. Não somente porque existem crianças alérgicas e não alérgicas, mas porque existem crianças com gostos diferentes, com famílias diferentes, cores, crenças, limitações, vontades e oportunidades diferentes. O olhar das crianças é livre de julgamentos, e a nós cabe ensinar que o nome disso é RESPEITO e incentivar que continuem lidando naturalmente com as diferenças a medida que a inocência vai sendo substituída pelas imposições sociais e culturais de nós adultos.

Quando a criança está acostumada a olhar com naturalidade para as diferenças ao seu redor, ela vai conseguir olhar com naturalidade para as suas próprias.


ACORDOS E REGRAS FAZEM PARTE DA VIDA


Outro ponto, são todos os outros Nãos com os quais ela vai ter que lidar.

Não importa que tenham adultos bebendo, bebidas alcoólicas são proibidas para menores, alguém discorda?

Não importa que a amiguinha conseguiu o que queria chorando e se jogando no chão se na sua casa as coisas não funcionam assim.

Banho e escovação de dentes não são negociáveis. E você ensina os motivos e encontra formas de lidar com esses momentos apelando para muita paciência e um pouco de diversão, não é verdade?

Na sua casa vocês criaram as próprias regras para doces, estudos, brincadeiras.

Bater, chutar, gritar, não são comportamentos aceitáveis.

Não doeu tanto criar esses acordos, doeu?

Não tem como impedir que seu filho seja exposto a comportamentos diferentes do que aqueles que você ensinou como certos. E a gente não se questiona tanto sobre isso. Porque então tanto medo de negar alimentos perigosos?


A DOR DO NÃO


Primeiro porque a gente compara demais: Todo mundo pode, ele vai ver nas festas, os amigos vão levar na escola.

Depois, porque nosso paladar está acostumado de uma certa forma, e para nós é muito difícil pensar em cortar algumas coisas.

Para as crianças não é bem assim.

Quanto mais nova, mais tempo ainda dá de educar o paladar dela. Quer dizer que ela não vai gostar de chocolate? Muito provavelmente vai, açúcar, fritura, brigadeiro, isso tudo é gostoso! Mas se ela conhecer o sabor da comida de verdade e as excessões forem tratadas desde cedo como excessões, tá tudo certo pra ela. Não devemos subestimar a capacidade de compreensão dos pequenos.

Encontrar junto da escola e professores formas inclusivas de lidar com as situações é uma briga que vale a pena comprar.

Até uma certa idade, festa é para brincar! Quem vai em festa pra comer somos nós hahaha. Preparar uma sacolinha com coisas seguras para eles pode ser suficiente para garantir que a diversão não pare. Se você não der tanta importância eles provavelmente nem vão ligar tanto para o que os outros vão comer.


A hora que a fome bater o lanchinho dela estará esperando!


SOMOS ESPELHO


Aqui chegamos num ponto importante.

A forma como nós lidamos com o assunto.

As crianças sentem nosso olhar de pena, de culpa. “Coitadinho, não pode comer”. E mesmo sem entender tão bem, elas vão se sentir vítimas, vão acreditar que estão perdendo algo muito bom. É por isso que a nossa atitude nessas situações faz sim toda diferença.

Então é bom estar preparado com o que eles vão comer e com o que vai precisar ser dito caso alguém ofereça ou eles peçam algo.

Não deixe também que os outros tratem eles assim. Defenda SEMPRE que acontecer, principalmente se ele estiver ouvindo.

- Não é um pecado ele não comer esse bolo, ele come bolos muito gostosos e seguros que fazemos para ele.

- Não faz mal que não pôde comer o ovo, o arroz com feijão estavam deliciosos, não é filha?

- As comidas dele além de saudáveis são super saborosas, você precisa ver o sucesso que meu mousse especial faz lá em casa.


SOBRE ENFATIZAR OS PERIGOS


Por medo ou por não saber como lidar com a situação alguns pais acabam transformando tudo em ameaça:

- Sua barriga vai doer muito.

- Vai ter que tomar injeção!

- Você vai parar no hospital.

Sem dúvida é importante que a criança saiba porque ela não pode comer aquilo, mas existe a hora certa e o jeito certo para falar sobre isso.

Durante uma brincadeira de comidinhas é uma oportunidade incrível para falar sobre o que cada boneco pode e não pode comer, e porque não podem.

Amedrontá-los pode criar uma relação de medo com a comida, pode causar uma seletividade maior e até distúrbios alimentares mais sérios.

Evite ter que ficar falando na hora das refeições, prepare o terreno antes. Crie momentos de diálogo seja nas brincadeiras ou em conversas acolhedoras com os mais velhos.


NEGOCIAÇÕES


Oferecer trocas o tempo todo também pode ser uma abordagem perigosa. Se cada vez que a criança estiver na frente de comidas proibidas você oferecer presentes, passeios e tratamento especiais uma hora a negociação vai fugir do controle.

Tenha comidinhas que ele gosta à mão para essas ocasiões. E quando possível, crie momentos em que todos os alimentos são seguros: a festa dele, uma noite do pijama com os amigos, um p

iquenique inclusivo em família. Crie momentos dos quais ele vai se lembrar quando alguma situação lhe fizer se sentir para baixo.

Claro que vão ter dias mais duros, e você vai sentir quando houver necessidade de um acordo ou uma compensação mais atenciosa. Pode seguir seu coração, tá tudo certo.


A grande verdade é que não vai dar para arrancar deles a vontade. Para vendar os olhos em todas as situações. Elas vão acontecer, estejamos preparados com a maior leveza possível.

E quando as coisas fugirem ao controle, a gente aceita, respira fundo e começa tudo de novo.


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