Controle de traços domésticos - Como não enlouquecer?

Atualizado: 28 de Mai de 2019

Muita gente nem ouve falar de traços quando descobre a APLV. Os médicos não dão muitos detalhes e acabamos nos deparando com o assunto nas pesquisas na internet. A gente vai lendo as dúvidas e experiências de outras famílias e começa a pirar. Já não basta ter leite em quase todos os alimentos, vamos percebendo que tudo pode ser contaminado com leite, e não leva muito tempo para ficarmos com medo até da maçaneta da porta. Calma lá.

Vou contar um pouquinho da minha história e tentar dar algumas dicas de como se preocupar com isso mantendo a sanidade mental!

Afinal, o que são traços?

O controle de traços domésticos é feito para evitar o risco de ingestão da proteína que adere em materiais porosos utilizados nos preparos dos alimentos. Nem todos reagem a esses traços, mas a única forma de descobrir é testando.

Traços domésticos são diferentes dos traços industriais. A chance de contaminação de produtos industrializados pelo compartilhamento e maquinário com produtos que contenham a proteína é muito maior.

Outra diferença é a contaminação cruzada que acontece em restaurantes e padarias, por exemplo, onde uma colher que foi usada para servir lasanha pode ir parar no arroz, levando a proteína íntegra e contaminando o alimento de forma mais perigosa.


Preciso mesmo evitar traços domésticos?

Como em vários temas relacionados à alergia alimentar, acabamos recebendo orientações diferentes de médicos diferentes. Alguns dizem que o controle só deve ser feito quando há reação aos traços (para saber, só testando), outros dizem que se deve controlar desde o início por precaução, outros dizem ser totalmente desnecessário.

Também lemos muito nos grupos e blogs como cada família faz seu controle. Algumas mais drásticas, outras mais ponderadas. Ai vem a dúvida, preciso ou não preciso?

Vou contar meu caso. Eu faço o acompanhamento da minha filha com um gastro e um alergista. A indicação do gastro foi que eu controlasse traços. Devia separar a esponja e evitar utensílios porosos, mas não precisava trocar forno, micro-ondas, esterilizador. Já o alergista me orientou a não fazer o controle, dizendo que bastava higienizar com água e detergente todos os utensílios.

Ouvindo as duas orientações, pesquisando e considerando que minha filha levou mais de 4 meses para estabilizar, optei por fazer o controle.

Na minha opinião duas coisas são importantes para te ajudar a tomar essa decisão:

1 – Ouvir o seu médico. É importante relatar muito bem as reações do seu filho, as suas suspeitas sobre o que faz mal a ele e o que não faz, sua rotina de alimentação. Questione a posição dele em relação aos traços, e esclareça todas as dúvidas que surgirão conforme a resposta que ele der.

2 – Levar em conta suas observações. Ninguém conhece melhor um filho do que seus pais. São vocês que estão no dia a dia com ele, que passam as noites em claro velando nos dias de crise. Fiquem atentos aos sinais, mantenham o diário alimentar em dia e não fiquem remoendo a dúvida, suspeitou, faça o teste.

Se optar por não fazer o controle, refaça o questionamento em todas as consultas caso não haja estabilização. As vezes vamos cortando vários alimentos sem necessidade quando na verdade o problema pode estar nos traços.


Optei por fazer o controle. E agora?

Não precisa comprar tudo novo, nem muito menos jogar as coisas fora. Lembre-se que pode ser uma situação temporária.

O que precisa ser evitado: Utensílios de plástico e madeira (inclusive cabos de talheres), teflon, silicone, cerâmica com trincas ou poros aparentes.

O que pode ser usado: Vidro, alumínio, inox, porcelana, cerâmica em bom estado.

Aqui em casa só eu faço a dieta devido a amamentação. Minha irmã já tinha passado por tudo isso com meu sobrinho aplv, então seguindo as dicas dela, e com ajuda da minha mãe fizemos assim:

Separei uma louça de cada tipo (um garfo, uma faca, uma colher de cada tamanho, um prato de cada tamanho, concha, descascador de batata e colher de servir). Temos vários jogos de copos e xícaras diferentes, então dividimos os lisos para a casa, os com desenhos para mim. Higienizei esses itens com esponja de aço (bem esfregadinho) e guardei tudo em uma prateleira exclusiva.

Eu tinha poucas coisas de vidro, as que tinha fiz a mesma coisa, higienizando e guardando separado. Depois comprei mais dois marinex pequenos com tampa para as marmitas, uma tigela de servir de vidro e uma serra de pão.

Ganhei um liquidificador da minha sogra, e três panelas de inox da minha mãe, porque só tinha de teflon. Com isso meu enxoval da alergia estava completo.

Higienizamos a pia da varanda e passei a lavar todas as minhas louças lá.

No balcão da cozinha separei uma área com um daqueles tapetinhos de pia de silicone, e toda a minha louça em uso, ou que precisa ir para lavação fica em cima, evitando misturar com as outras louças. Lá na varanda eu tenho as esponjas e panos de prato exclusivos.

Forno e micro-ondas faço a limpeza normal, sempre que uso o micro-ondas uso um papel toalha por cima, isso basta. Quando possível, uso papel manteiga nas formas de teflon para levar ao forno sem que a comida entre em contato com ela.

Cozinho tudo em casa. É bolo, pão, biscoito, rosquinha, suco, diferentes pratos salgados, e faço tudo isso somente com os utensílios que citei. Minimalismo é outra coisa que a alergia nos ensina!



O controle de traços domésticos é feito para evitar o risco de ingestão da proteína que adere em materiais porosos utilizados nos preparos dos alimentos.

Assim que fui liberada para o TPO iniciei pelos traços e minha filha reagiu. Em dois dias começou com vômitos e em seguida reapareceu o sangue na fralda. Voltei a estaca zero. Se passaram dois meses e como fiquei na dúvida se foi mesmo o traço ou algum furo na dieta, estou testando novamente, na torcida para que corra tudo bem dessa vez.


Mais um parêntese

Água e sabão não limpam traços de utensílios, mas limpam das nossas mãos. Pode avisar as pessoas que para manter seu filho em segurança não precisa tomar distância nem colocá-lo numa bolha. Basta escovar os dentes, lavar bem as mãos e pronto! Pode pegar, brincar, conversar com a criança sem neuras.


Pra valer a pena

Ajude todos os que convivem com vocês a colaborar com sua decisão. Esclareça de forma direta como você decidiu cuidar do seu filho, explique a importância (mas sem se desgastar) e peça apoio. Ninguém precisa concordar com vocês, apenas respeitar. Alguns vão se interessar em pesquisar e aprender mais sobre o assunto, outros vão demorar mais para entender. Com o tempo todos se acostumam. Paciência, força e fé!


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